O Sanseito realizou uma coletiva de imprensa extraordinária e anunciou punições contra dez integrantes do partido, incluindo vereadores e dirigentes, após a descoberta de um esquema conhecido no Japão como “fuga do seguro nacional de saúde”.

Entre os envolvidos estão oito vereadores municipais de seis províncias japonesas, incluindo Ibaraki e Saitama. Segundo o partido, os políticos deveriam estar inscritos no sistema nacional de seguro de saúde destinado a trabalhadores autônomos, que possui contribuições mais elevadas. No entanto, eles teriam assumido cargos simbólicos em empresas sem atividade prática relevante para migrar para planos de seguro social com custos muito menores.

O mecanismo é considerado uma espécie de brecha legal utilizada para evitar o pagamento integral do seguro nacional de saúde. Em muitos casos, os envolvidos recebiam salários extremamente baixos como “executivos” dessas empresas, reduzindo significativamente os encargos mensais.

Durante a coletiva, o líder do partido, Sohei Kamiya, pediu desculpas publicamente e afirmou que o método utilizado era “extremamente inadequado”. Segundo ele, os parlamentares deixaram de arcar com valores que deveriam ser pagos corretamente ao sistema público de saúde.

O partido revelou ainda que os envolvidos conseguiram reduzir suas despesas mensais em cerca de 20 mil a 40 mil ienes em comparação ao valor que pagariam normalmente no seguro nacional. Os casos teriam começado em setembro de 2023, permanecendo em alguns casos até junho de 2025.

Além dos oito vereadores, também foram punidos um dirigente partidário acusado de apresentar o esquema aos parlamentares e um vereador da cidade de Minoh, em Osaka. As sanções incluem expulsão e recomendação de desligamento do partido.

A investigação interna começou após casos semelhantes serem descobertos dentro do Nippon Ishin no Kai. O Sanseito afirmou que decidiu ampliar a apuração internamente a partir de março de 2025, quando identificou situações semelhantes entre seus membros.

Kamiya declarou que a decisão sobre eventual renúncia dos vereadores ficará a cargo de cada político individualmente.

Um dos punidos, o vereador Suguru Nito, afirmou em entrevista que não tinha consciência de qualquer ilegalidade. “Reconheço que foi uma atitude impensada e reflito profundamente sobre isso”, declarou. Apesar da polêmica, ele disse que não pretende renunciar ao cargo neste momento e que continuará trabalhando para recuperar a confiança da população.

Como medida preventiva, o Sanseito informou que passará a verificar a situação do seguro de saúde de todos os candidatos eleitos e exigirá comunicação obrigatória ao partido em caso de alterações futuras.